Porque Gays jovens procuram Gays maduros para relacionamento e vice-versa?

Por Edu Koellreuter

É bastante comum gays mais jovens, de 18 a 25 anos, procurarem por parceiros maduros, de 28 a 55 anos (ou mais). O ideal de segurança traduz diversos aspectos do inconsciente do gay jovem em relação da figura do gay mais velho: maturidade emocional, estabilidade financeira, nível intelectual, sobriedade e fidelidade, entre outros valores. É claro que alguns gays (assim como algumas mulheres) buscam se relacionar com outros homens tendo em vista – consciente ou inconscientemente – uma estabilidade financeira, um apoio material; há alguns gays jovens que se “especializaram em ser cuidadores de gays idosos”, especialmente se esses gays possuírem bens ou polpudas aposentadorias. Não coloco em julgamento a atração, essa predileção que muitos jovens gays têm por homens mais velhos, conheço alguns jovens gays de 18,20 anos que se relacionam com homens de 60 anos porque gostam, se sentem bem, mas a lógica deixa bastante claro que alguns gays buscam se relacionar por motivos estritamente materiais, financeiros , e é evidente também , que os gays mais velhos sabem disso, têm consciência que muitas vezes o gay jovem estar com ele, apenas por interesses.

Na psicologia, falando até de uma maneira bem rasa (já que não sou psicólogo) o jovem gay que tem o pai ausente, apático ou distante desde pequeno, projeta na figura do homem gay adulto as expectativas de um pai que não teve. Nessa imagem reside uma segurança imaginária. É como se fosse preencher com o homem mais velho a lacuna de um pai que não foi presente. As vezes preenche, as vezes não, mas de certo se é um relacionamento pleno, questões inerentes à relacionamentos virão.

O gay maduro que procura o jovem gay
Se existe o novo que procura o velho, consequentemente existe o velho que procura o novo. É bastante comum perceber o sentido inverso, quando homens mais velhos, de 30 ou mais projetam seus desejos em gays mais jovens. No meu ponto de vista existem dois motivos principais para isso:

1 – A partir de uma certa idade, na faixa dos 30 anos, o gay passa a perder uma vitalidade natural que se intensifica ainda mais com a chegada dos 40 anos e assim por diante. Como sabemos, à medida que envelhecemos, o sentido de solidão vai se tornando mais presente principalmente no contexto da vida gay que não há grandes expectativas para casamentos e filhos (esses assuntos são muito atuais e o gay brasileiro em geral não se sente preparado). É natural o despertar de um certo tipo de “Complexo de Peter Pan” quando a maturidade chega e o gay busca preservar sua jovialidade projetando-se na figura do gay mais jovem;

2 – Uma boa parte de homens gays, quando adolescentes e de hormônios turbinados, reprimem a realidade homossexual pelas velhas e conhecidas questões de auto preconceito, conflito, inseguranças, rejeição, enfrentamento social e etc. Podemos dizer que “deixam de viver a adolescência”, engolem os desejos ao invés de exteriorizar e vivem um tipo de sensação de “juventude perdida”. Mais velhos, buscam compensar essa lacuna de “adolescência perdida” identificando-se e atraindo-se por gays mais jovens.

A busca por relacionamento gay com a mesma faixa de idade
Existe aí, além da atração física por pessoas da mesma faixa de idade, o sentimento ideal de que vai se compartilhar dos mesmos assuntos, terão os mesmos gostos e poderão formar um tipo de “irmandade”. Isso são idealizações de dentro para fora (assim como nos casos anteriores). Alguns casais passam até a se vestir parecido e ter o mesmo corte de cabelo. Alguns se aproximam até mesmo pela semelhança física.
Mas de fora para dentro, existe o ideal da autoimagem: é estranho andar na rua ou estar entre amigos com alguém muito mais novo ou muito mais velho. “O que as pessoas podem pensar? (Porque, no fundo, eu acho estranho quando vejo alguém mais novo com alguém mais velho e vice-versa). Parece que não combina”, e aí já começa o preconceito.

A influência de padrões e cobranças externas (dos modelos sociais, repertoriais e religiosos) são praticamente inevitáveis. É terrivel  o magnetismo dos modelos estéticos, da moda, da mídia, dos ideais de poder aquisitivo, da cultura de status, da maneira que cada um projeta a ideia de um jovem gay e um gay maduro, que direta ou indiretamente – esses padrões – estão querendo nos conquistar a todo momento. E cada um “compra” ou deseja esses sonhos até um limite que é próprio.
Nossos gostos e preferências sobre aquilo que nos parece dar segurança são também construídos. Também são influenciados para sentirmos que estamos dentro de algum contexto seguro e identificável.

Mas se são construídos, podem ser remontados? O quanto conseguimos não ser “encantados” pelo marketing das coisas? O quanto há de autonomia ou de alienação? 

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