Uma Parada de quase 3 Milhões que está longe de ser minoria

Um Domingo para ficar no topo do Ranking das Paradas do Orgulho LGBT de São Paulo. Assim podemos definir a grandiosidade do evento que bateu recorde em participação popular reescrevendo a tradição da Capital paulista fazer a Maior Parada Gay do Mundo.

O tema deste ano foi “Poder pra LGBTI+, Nosso Voto, Nossa Voz” focada nas Eleições que acontecem em Outubro deste ano. A idéia central é que através de uma pauta política, inspiradora e necessária, os Governantes do País reflitam sobre a condição de abraçar as causas LGBTI+ e que entendam que é preciso priorizar as discussões à respeito dos direitos dos homossexuais e da criminalização da Homofobia num país onde mais se mata homossexuais.

Dados que chocam

Um relatório do Grupo Gay da Bahia (GGB), entidade que levanta dados sobre assassinatos da população LGBT no Brasil há 38 anos, registrou 445 homicídios desse tipo em 2017. O número aumentou 30% em relação ao ano anterior, que teve 343 casos.

Segundo o levantamento, 2017 foi o ano com o maior número de assassinatos desde quando a pesquisa passou a ser feita pelo movimento. De 130 homicídios em 2000, saltou para 260 em 2010 e para 445 no ano passado. Houve ainda um aumento significativo de 6% nos óbitos de pessoas trans no último estudo, de acordo com o grupo.

“Tais números alarmantes são apenas a ponta de um iceberg de violência e sangue, pois, não havendo estatísticas governamentais sobre crimes de ódio. No Congresso, os projetos de lei que criminalizam a homofobia encontram na maioria das vezes a resistência da bancada evangélica e como um efeito dominó, tal resistência acaba envolvendo outros políticos que superficialmente dizem ser á favor dos homossexuais.

O Projeto de Lei Complementar nº 122/2006, de autoria da ex-deputada pelo PT de São Paulo, Iara Bernardi, tipifica de vez a homofobia como crime. Há 10 anos foi aprovado pela Câmara e ainda aguarda a votação do Senado. Prestes a caducar, o Projeto tem como maior obstáculo, as lideranças de diversas igrejas que tentam à todo custo, barrarem na  capital federal promovendo atos políticos contra os homossexuais. Um dos puxadores deste coro está o Pastor o pastor Silas Malafaia – um dos líderes evangélicos que mais se opôs ao PL 122 que em 2015 comemorou abertamente através do Twitter,  o arquivamento do projeto  e agradeceu o empenho dos parlamentares da bancada evangélica, como o senador Magno Malta (PR-ES), que influenciou a tomada de decisões dos demais parlamentares.

Em suas linhas escritas ele dizia; “PLC 122 acaba de ser enterrado no Senado. A Deus seja a glória. Parabéns aos senadores Renan Calheiros, Magno Malta, Lindbergh Farias e outros. Não adianta chorar ou xingar o PLC 122 foi para o ‘espaço’. Nada de privilégios para ninguém. Homo, hétero, religioso ou não, lei é pra todos […]

O que mais assusta é que respeito a vida e a orientação das pessoas são colocados como Privilégio. Para estes políticos,  “MORRER” assassinado seria de fato a penitencia ou condenação por ter a orientação sexual diferente. Um Pastor que coloca Deus como o grande vitorioso, cerceando um estado laico de direito, com a ideologia de que um Projeto de lei que na verdade preza pela vida de um ser humano é visto como uma ameaça aos valores cristãos.

Por isso é que, ao menos um dia no ano podemos comemorar a vida, encher a Paulista de cores, entoar bem alto as palavras de ordem que nos faz visíveis mesmo que em apenas num dia de Domingo com chuva e frio mas com o calor de mais de 2,5 milhões de pessoas que, fora da margem minoritária, ainda tem esperança nos Governantes sérios e que passem a ouvir o clamor desta massa majoritária que marca presença na Maior Parada Gay do Mundo e que em Outubro fará a diferença nas urnas.

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